04/06/2017

"A ESCOLHA DE SOFIA". Autor: Willian Styron

RESENHA E COMENTÁRIOS

Essa obra não é nova.  A edição aqui comigo é de meados da década de 70, grosso volume de fonte pequena, 576 páginas.

O livro já foi homenageado com um filme protagonizado por ninguém menos do que Meryl Streep.

Não sabia nada da escolha de Sofia pelo que me deu mais interesse pelo livro, já que o filme, de 1982 nem tenho certeza se assisti inteiro.

Na verdade são duas as escolhas de Sofia.

O narrador da história é Stingo, um candidato a escritor que se hospeda numa pensão barata, no Brooklyn, Nova York, porque em Manhattan era muito caro, toda cor-de-rosa, casa de Yetta Zimmerman e é nesse ambiente que conhece o casal Sofia – Nathan, barulhentos na hora do amor no andar de cima.

Viera Stingo do sul dos Estados Unidos e, à medida que se relaciona com Nathan é insultado por ele, que imita o sotaque daquela região do sul americano, uma provocação.

Mas, assumindo algo parecido com dupla personalidade, num outro momento Nathan elogia muito o futuro escritor e se tornam, juntamente com Sofia, grandes amigos.

O livro está cheio de pieguices e histórias dentro da história, fatos que não o desmerecem.

Curioso, entre os americanos entre homens, não é incomum se ouvir, “I love you”. E esse sentimento se dá entre Stingo e Nathan.

Sofia de modo gradativo vai contando sua história a Stingo: polonesa, poliglota (falava alemão, francês e polonês) foi presa pelos nazistas e levada a campos de concentração apenas porque fora surpreendida convivendo com membros da resistência. Ela não compactuava com o movimento.

Por falar o alemão tão bem, estenógrafa, passou a trabalhar para um comandante nazista no campo de concentração de Auschwitz (comandante Höos):

“Pergunta: Diga-me: em Auschwitz onde estava Deus?”
“Resposta: Onde estava o homem?”

Em meio a todo o sofrimento nesses campos de concentração, um dia teve que escolher, perante um médico bêbado que pensara em ser padre um dia, qual dos seus filhos, seu filho ou sua filha deveria entregar para os fornos de extermínio para que o outro sobrevivesse.

Completamente cega de dor, entrega um dos seus filhos (não direi qual, hem!) e, por todo o tempo, mesmo quando chegou aos Estados Unidos pensava em encontrar aquele que sobrevivera. Não o encontraria. Nem poderia afirmar que sobrevivera.

Até o terço final do livro, a crueldade de Nathan em momentos diversos contra Sofia deixava a impressão que sendo ele judeu, esses destemperos poderiam significar um contraponto à própria crueldade nazista. Todos teriam, latente, impulsos de violência e ele como judeu ao saber do extermínio nos campos de concentração.

Naqueles tempos do pós-guerra havia no ar, ainda, aquele sentimento de perplexidade, revolta e ainda os horrores da violência praticadas por todos os lados no conflito.

No terço final do livro, se avoluma o erotismo e se descobre que Nathan tinha problemas psiquiátricos sérios. Esquizofrênico. Dai a violência.

Sofia era linda, Stingo se apaixona por ela de modo descontrolado.

Por não conseguir consumar sua primeira relação sexual com suas namoradas virgens e que não se entregaram, chegou a duvidar de sua masculinidade até que, salvando Sofia das reações esquizofrênicas de Nathan fogem para a Virginia, o sul, para a fazenda do pai de Stingo.

É nessa viagem que Sofia premia Stingo.

E depois disso, sem que Stingo acordasse, ela foge para Nathan, para o Brooklyn e para o duplo suicídio, o que considero a segunda escolha de Sofia porque poderia ela ter usufruído uma vida singela mesmo sendo 10 anos mais velha que Stingo. 

O livro “A Escolha de Sofia” é muito bom.

Agora preciso assistir ao filme.





No meu Joana d’Art, com efetividade adotei algumas histórias paralelas mas que sempre têm algo a ver com o tema central. Naqueles dias em que situei o relato dessas histórias paralelas, descrevo, sim, a angústia jovem pela clamor de sexo, muito forte e reprimido.
Não tem jeito, o sexo é parte da humanidade, daí os 7 bilhões de almas aqui na Terra. Mistério? Não serei eu que tentarei resolver ou opinar sobre isso. 

22/02/2017

DE H. G. WELLS (Herbert George) A STEPHEN HAWKING



Desta feita, nesta crônica, reúno um grande Autor de ficção e historiador do século XIX/XX (1866-1946), como foi H. G. Wells e o grande cientista Stephen Hawking (físico e cosmólogo britânico).

“Guerra dos mundos” de H. G. Wells

Para conhecer a resenha e comentários do livro de Wells, acessar: 

http://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com.br/2017/08/17-guerra-dos-mundos-de-h-g-wells.html



De Wells a Orson Welles

O livro de Wells descreve cenas de terror no modo como os marcianos agiam.
Na noite de 30 de outubro de 1938 – véspera do dia das bruxas -, nos tempos do domínio do rádio, o jovem Orson Welles adaptou a “guerra dos mundos” numa transmissão com todos os timbres de realismo, detalhando a invasão marciana na cidade de Grover's Mill, no estado de Nova Jersey (EUA).

[Uma referência que a própria cidade ostenta por ter sido em seu território a “invasão marciana” de Welles].

A transmissão interrompeu a programação normal da emissora, instalando-se o terror e pânico desmedido entre milhares de ouvintes tal qual se dera no livro, que fugiam para algum lugar se afastando do perigo iminente de destruição marciana e sobreviver.

[Mais informações sobre a transmissão de Welles: http://www.dw.com/pt-br/1938-p%C3%A2nico-ap%C3%B3s-transmiss%C3%A3o-de-guerra-dos-mundos/a-956037].

Revelada logo depois que a transmissão de Orson Welles fora convincente interpretação baseada no livro do H. G. Wells, suplantada a perplexidade geral propiciou a ele, Welles, abertura das portas de Hollywood onde dirigiu, com roteiro de sua autoria e intepretação, o filme “Cidadão Kane” apontado sempre como uma obra prima dele e do cinema americano. 

Tragédias que marcam

A destruição praticada pelos marcianos relatada em “A Guerra dos mundos”, com todos os detalhes naquele clima de terror nem de longe se aproxima do que se passou nas duas Grandes Guerras, especialmente na segunda na qual houve a devastação de Londres pelo nazismo, tanto quanto descrevera o livro pela invasão extraterrestre.

Não há como esquecer, por outra, a tragédia das bombas atômicas no Japão.

As guerras localizadas mantidas por razões até fúteis, por um pedaço de território, por um poder decorrendo o massacre impiedoso de vidas inocentes, estranhas a elas mas que ficam a mercê da monstruosidade dos contendores.

Há, também, a batalha da fome eclodindo em muitos países.

Essa e a “guerra dos mundos” real.

Wells e o cinema americano

Muitos são os filmes americanos que investem no tema de invasão alienígena com grandes destruições provocadas pelos invasores malvados.

Dois, porém, são diretamente inspirados na obra de Wells:

1953: “Guerra dos Mundos” dirigido por Byron Haskin, muito bem dirigido mas que omitiu alguns episódios do livro de Wells, como por exemplo, o de serem os marcianos carniceiros. E também as armas letais que faziam parte daquelas trípodes de 30 metros de altura cujos raios direcionados eram letais.

Nesse filme os ataques se davam pelos próprios discos voadores emitindo aqueles raios desintegradores com um som característico muito apropriado para a gravidade dos seus resultados. Por esses recursos foi premiado com o “Oscar” de efeitos especiais.

Tanto como no livro, as armas de defesa do exército eram inofensivas para conter o furor assassino dos invasores.

O filme também causou sustos naqueles tempos em que o cinema fora uma opção primeira de entretenimento, pelo que causava emoções e impactos genuínos.

















(As duas fotos ilustram bem cenas do filme de 1953, inclusive o “olho móvel” ameaçador, imaginado pelo seu diretor, que se estendia a partir dos discos e que explorava ambientes semidestruídos em busca de vítimas escondidas).

2005: “Guerra dos Mundos” dirigido por Steven Spielberg destacou no seu filme o lado carniceiro dos invasores, com dramatizações que não constaram do livro de Wells. Foi sucesso de bilheteria.

Klaatu e Gort

Se bem me lembro, um filme americano no qual o extraterrestre viera em missão de paz – mas nem por isso sem levar um tiro precipitado de um militar ao sair da nave -, fora “O dia em que a terra parou” de 1951 do diretor Robert Wise, tendo como personagens o agente pacifista Klaatu e o robô Gort, este um defensor que emite raios mortais pulverizando armas e inimigos.















A mensagem pacifista do extraterrestre tinha a ver com a eclosão da guerra fria e o que de trágico poderia advir dela.

Todos os demais filmes são catastróficos nos quais os extraterrestres invasores vão destruindo a Terra, principalmente a sempre “culpada” Nova York.

STEPHEN HAWKING

Mas, e Stephen Hawking? (2)

O livro de H. G. Wells se refere aos marcianos que sentiam seu planeta num processo de exaustão e com aparelhos sofisticados que “escapavam à nossa compreensão”, olhavam para a Terra, invejosos.

Por essas condições favoráveis, resolveram atacar a Terra e liquidar toda sua estrutura, além de serem carniceiros.

Há um documentário que apresenta breve entrevista com Stephen Hawking no qual se revela favorável às viagens espaciais e admite a conquista de bases espaciais a nossa volta, porque os recursos naturais neste pequeno planeta se exaurem além de nossa capacidade técnica de reconstrução.

Acentua que foram grandes os progressos nos últimos cem anos, “mas”, diz ele, “se quisermos continuar além nos próximos 100 anos, o nosso futuro está no espaço”.

[Pontos que se tocam entre a ficção de Welles sobre Marte e as afirmações do cientista Stephen Hawking sobre a Terra...

Essas bases poderão ser inabitadas porque caso contrário há sempre a preocupação com a violência que poderá ser adotada pelos nossos conquistadores nessas eventuais conquistas eis que por aqui não faltam atos assustadores de crueldade].

Ele minimiza a presença de ETs entre nós ou que até mesmo venham nos visitando, chegando a colocar em dúvida as abduções que se dão, segundo ele, sempre com “gente esquisita”.

[Quanto a mim penso que alguma coisa além da esquisitice das vítimas pode estar ocorrendo – nos relatos os abduzidos, de regra, são submetidos a experiências físicas dolorosas].

Mas, em havendo contato com uma civilização significativamente desenvolvida, “pode ser similar ao encontro de Colombo com os índios. E os registros históricos atestam que esse encontro não foi bom para os índios”.

E também:

“... em vez de tentar achar vida no cosmos e se comunicar com esses seres extraterrestres, seria melhor que os humanos fizessem tudo o que pudessem para evitar esse contato”. (3)

Ou mais, os alienígenas estariam mais para a destruição no filme “Independence day” e pouco com o ET bonzinho que voava de bicicleta com as crianças, do filme de Spielberg.

Degradação

Não de hoje tenho preocupação com a degradação ambiental que se avoluma, enquanto cresce a população mundial que, por sua vez, necessita de mais espaço para sobreviver e, como decorrência o aumento da poluição, o ataque às florestas e outras reservas naturais, mesmo de água.

Os desertos crescem e não há qualquer tecnologia para reaver essas imensas áreas estéreis. Ou que haja interesse em desenvolver tal tecnologia.

Se tivermos que buscar bases no “universo próximo” à Terra em dias não distantes como sugere Stephen Hawking as causas começam com o descaso ambiental atual tão greve que para mim chegam à emoção.

Nossos netos sentirão esses efeitos dramáticos... se nada for feito para reagir a esse estágio atual de devastação.

Legendas

(1) H. G. Wells não é apenas escritor de ficção. Tenho comigo edição de 1939, em três volumes, da “História Universal” de sua autoria.











(2) Stephen Hawking sofre de doença degenerativa se comunicando por um computador acoplado à sua cadeira de rodas, no qual “um software permite que ele escolha palavras de uma lista e as reproduza através de um sintetizador de voz”.

(3) “O Estado de São Paulo” de 10.05.2010, transcrevendo artigo de Alok Jha do “The Guardian”. As afirmações de Stephen Hawking foram feitas em documentário para o Discovery Channel. Hawking é doutor em Cosmologia, autor do livro “Uma breve história do tempo”. 


11/01/2017

DAS RESENHAS DOS LIVROS QUE CONSEGUI LER

Exercício mental:

Nestes tempos de comunicação eletrônica, assumo a minha perplexidade pelos recursos postos à disposição. Entre esses recursos, predomina o facebook, um misto de alienação e empolgação que abriu a possibilidade a todos de se comunicarem. Considero um meio democrático antes inimaginável.
Pois bem, eu mesmo não nego minha empolgação com o facebook que vem sendo considerado por muitos um veículo que afasta as mentes da leitura tradicional. A charge de John Holcrof abaixo dá esse sentido.



Por causa disso e para não me curvar de modo exacerbado aos recursos impressionantes do facebook e de outros recursos disponíveis é que faço breve resenha dos livros que li nos últimos meses, na verdade um verdadeiro exercício mental.



“Fahrenheit 451” de Ray Bradbury

Para a resenha completa deste livro, acessar:

 http://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com.br/2017/07/11-fahrenheit-451-de-ray-bradbury_15.html


“Dez contos para canções de Chico Buarque”

Esse livro foi publicado pela Companhia das Letras e patrocinado pela Caixa Econômica Federal.
Edição esmerada que talvez explique o vínculo do compositor – cantor com o lulopetismo.

O livro inclui dez contos tendo como fonte de inspiração o mesmo número de canções de Chico Buarque

No geral o livro é ruim.

Sei que é fácil criticar obras alheias, mas há contos no livro que homenageiam a minha mediocridade.

Salvam-se os contos de Carolla  Saavedra (“Entrelaces”), Luiz Fernando Veríssimo (“Feijoada completa”) e Mia Couto (“Olhos nus: olhos). Talvez um ou dois mais.

Tem um conto denominado “A calça branca”, sobre namorados homens muito ruim. Nada contra o namoro homossexual, mas esse conto passou batido na análise da qualidade.

Mesmo com as ressalvas acima, o livro é descartável...












“O Aleph” de Jorge Luiz Borges



É o um livro de contos do consagrado autor argentino. No total são 17 contos.

O livro se caracteriza por um estilo de maior erudição o que pode exigir uma segunda leitura. Há um quê de místico nos contos especialmente no último, o Aleph que dá nome ao livro.

Esse conto tem uma característica: o narrador se relaciona, ainda que exista rancor contido entre ambos, o primo de sua musa, Beatriz.

Esse interlocutor passa a escrever um poema interminável, desprezado pelo narrador que era obrigado a ouvir aborrecido estrofes e estrofes.

Mas, onde entra o Aleph?

Naquele círculo de alucinações ou nem tanto, o poeta disse o ter descoberto no porão de sua casa, esclarecendo que um Aleph é “um dos pontos do espaço que contém todos os outros pontos”.

No porão, o próprio narrador acaba captando o Aleph sendo exposto a revelações universais e de si próprio: “...vi meu rosto e minhas vísceras, vi teu rosto, e senti vertigem e chorei, porque meus olhos tinham visto aquele objeto secreto e conjectural cujo nome os homens usurpam mas que nenhum homem contemplou: o inconcebível universo.”

Aí eclode aquele sentimento tremendo que afeta e fere todos os seres humanos, num dado momento da vida:  a inveja. O poeta que apenas suportava foi premiado pelo longo poema e o narrador, pela sua obra, não recebeu nenhuma referência.

[De acordo com os estudiosos da linguística, o aleph do idioma fenício teria dado origem ao alpha grego que, posteriormente, originou a letra “a” no alfabeto latino.
Para os adeptos das doutrinas cabalísticas, o aleph é interpretado como um símbolo místico e espiritual, responsável por representar Deus como “o começo de tudo”. De: www.significados.com.br] 


“Transplante de menina” de Tatiana Belinky


Tatiana Belinky, juntamente com seu marido Júlio Gouveia fez parte da pré-história da televisão, nos primórdios da Tupi na qual adaptaram entre outras, as obras de Monteiro Lobato, “O sítio do pica-pau amarelo”. Fora escritora, autora de inúmeras obras de literatura infantil.

Neste, a do ”Transplante de menina”, autobiográfico, pode ser considerado “juvenil”.

Russa, nascida em São Petersburgo, com 10 anos de idade, no final da década de 20, quando o país vivia as contradições de conflitos internos graves, viajou com seus pais para o Brasil.

É a partir daí que relata as todas as suas experiências, as dificuldades de adaptação, da língua, de moradia até que residiram em São Paulo, na rua Jaguaribe, no bairro Santa Cecília.

Dai a convivência com outras crianças brasileiras, o bullying que não era assim conhecido, sua coragem e aventuras.

Nas primeiras páginas, ela escreveu isto:

“Hoje – e já há muito tempo – eu não trocaria o Brasil por nenhuma espécie de “paraíso terrestre” em qualquer outra parte do mundo (...). E no Brasil, não gostaria de  viver em qualquer outro lugar a não ser em São Paulo, essa “Pauliceia Desvairada”, essa megalópole caótica, fervilhante, dinâmica – e, sim, muito linda, onde cresci, estudei e lancei minhas raízes. E onde espero descansar quando chegar o meu dia”.

O relato se encerra em 1932, fazendo a Autora referência à revolução constitucionalista de que eclodira naquele ano, com a derrota dos paulistas.

Tatiana Belinky faleceu em 2013.












“O velho e o mar” de Ernest Hemingway



Para a resenha do livro, acessar: 

http://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com.br/2017/07/o-velho-e-o-mar-de-errnest-hemingway.html










O homem que calculava” de Malba Tahan (Julio Cesar de Mello e Souza)


Para a resenha deste livro, acessar:

http://resenhadoslivrosqueli.blogspot.com.br/2017/09/24-o-homem-que-calculava-de-malba-tahan.html